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SNTNELA

Pétalas da minha história

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 O barulho que aquela ventania provocava ao ir contra a janela do meu quarto, os assobios, o bater da madeira que mais parecia a melodia de um famoso músico, a dar um certo dramatismo no livro que eu lia, naquela noite, onde a minha concentração era tamanha, que um simples virar da página afoito por mais conhecimento  sobre aquela historia, era uma eternidade, eu não estava em mim, mas sim em cada palavra do que me contava aquele livro, era sobre mim inexplicavelmente, desde a minha infância até pouco tempo atrás, e como eu há muito que andava perdido ansiava para saber o seu fim, os meus desejos, meus amores os meus sonhos, meus erros, estavam todos ali, palavra por palavra, como se de mim tratasse, e ao decorrer da leitura, entusiasmado e boquiaberto de tantas coincidências, momentos que eram somente meus, nunca partilhados, contados assim, quem poderia ter tal informação, quem pesquisara  com tamanho zelo e  pormenor sobre a minha simples vida, as primeiras gotas da chuva ouço caírem lá fora, nada que me tirasse daquele transe em que me encontrava, percebia tudo que se passava ao meu redor, e nem assim me desconcentrava, de tão  fascinante leitura e suas intrigantes semelhanças, e ao virar mais um página para o meu espanto estava ali uma rosa  seca guardada entre o livro, tirando por alguns minutos a minha atenção, peguei a rosa com cautela, ela era tão frágil que suas pétalas amarelas já secas e escuras do tempo, se desfolharam, caindo, provocando em mim uma ansiedade por apanha las, juntei as pétalas e ao devolver àquela página, vi que ela estava em branco, confuso sem perceber do porque voltei a ultima página, percebi então que as ultimas palavras contara de tudo que se passara na minha vida até ali, senti a inquietude daquela tempestade que parecia ser lá fora, mas que, na realidade estava dentro de mim, o escritor era eu, o livro era minha vida, aquela flor despedaçada era o meu coração, entristecido, carregado de angustias e decepções, aquelas páginas em branco me convidava a continuar, percebi que havia muitas delas em branco, até mais do que as já escritas, ainda tinha muito para contar, para viver. Num súbito acordei assustado, admirado por tudo que tinha vivenciado, abri a janela, os raios do sol entraram trazendo luz e calor, me recordando as coisa boas da vida e o quanto vale a pena viver.

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