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SNTNELA

A ferro e fogo

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Se há um monstro em mim? não sei, mas naquele momento tinha tanta raiva, descarregava toda minha ira, naquele corpo já sem reação estirado no chão, estava cego, alcoolizado, adrenalina no auge, como se algo mau se apossasse do meu ser, quando dei por mim, olhei para aquele rosto ali ensanguentado, não deveria ter mais que seus 16 anos, mesmo me sentindo horrível, não pedi ajuda, limitei a fugir dali com medo de ser descoberto, de ser castigado, um covarde correndo pelas ruas escuras, trazendo nas costas o peso da culpa, me perguntando, o que foi que eu fiz? não era a primeira rixa entre rapazes que eu presenciara, mas a primeira da qual era o autor do crime, os jovens que se odeiam por motivos fúteis, que se criticam, se batem, se matam, o que eu muitas vezes aplaudi quando era com os outros. Cheguei em casa, a minha mãe a minha espera como sempre, ela não dormia até que eu chegasse, olhou me assustada a perguntar aflita o que me acontecera, respondi lhe que fora atacado por uns vândalos, mas que estava bem, afinal o sangue nas minhas mãos não me pertencia, mas sim aquele desgraçado que lá ficou desmaiado, ou morto, a pensar nesta hipótese sinto um desespero, o medo se apossar do meus pensamentos, e se ele morreu? e se ficar bem, vai contar toda verdade? será que alguém viu? a vergonha dos meus pais... o filho que criou com tantos cuidados, tanto carinho, um inconsequente, um  animal solto na madrugada.

 

 

amai vos uns aos outros assim como eu vos amei

 

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